Entrevista: Regina Drummond, uma das grandes autoras da literatura infanto-juvenil brasileira

Foi em Viena onde eu conheci a ilustre Regina Drummond, uma escritora mineira com mais de 120 (!) livros publicados para crianças e jovens. Regina me conta das suas décadas de estrada num sorriso largo, sempre disposta a ajudar essa escritora iniciante que, na época, era novata no quesito evento literário. Nos conhecemos há menos de vinte e quatro horas, e já virei fã da Regina.

 

Morando em Munique, Regina não parou de escrever só porque saiu do Brasil. Muito pelo contrário! Sua experiência como expatriada trouxe novas histórias e inspirações. Confira a entrevista com a Regina para conhecer mais sobre sua obra.

Regina, você tem uma longa trajetória no mundo literário. Como surgiu a vontade de se tornar escritora?

Nasci numa família de escritores, então foi algo natural. Desde pequena, eu já dizia que ia ser escritora. Sempre adorei ler e escrever. E dançar balé! Se não tivesse sido escritora, seria bailarina, com certeza! Mas as duas carreiras juntas não dá. Ambas exigem muita dedicação.

 

Você já publicou mais de cento e vinte livros, principalmente para o público infantojuvenil. Quais são as obras que mais cativaram o público?

O Passarinho Rafa, Editora Melhoramentos, lançado em 1983, é o meu best-seller. Até hoje é um livro muito querido, acho que porque fala direto no coração das pessoas. Adultos que leram quando crianças compram para os seus filhos, e assim o livro vai passando de geração em geração... Os 30 anos de publicação foram comemorados com amigos numa grande festa. E já estou pensando na dos 40 anos.

 

São três livros. O primeiro conta a história de um passarinho que vive numa gaiola e é super paparicado. Um dia, ele descobre que o mundo é muito maior... E sai da gaiola para ver esse grande mundo. Só que isso também quer dizer que ele vai ter de abandonar suas donas, Juliana e Lilian!

 

No segundo livro, “Uma vida nova para o Passarinho Rafa”, ele descobre a poluição. Esse texto tem uma pegada mais ecológica.

 

O terceiro, “Uma companheira de viagem para o Passarinho Rafa”, introduz a Bia, uma beija-flor esperta. Juntos, Rafa e Bia vão combater a poluição e salvar a natureza, convidando os pequenos leitores nessa jornada.

 

Outros destaques são: “Aventuras no Folclore Brasileiro”, Editora Girassol, contando histórias do Saci, da Iara, do Boto, entre outros seres fantásticos; “Destino: Transilvânia”, Editora Scipione, que fala de vampiros em sua terra natal, na Romênia, um lugar que eu particularmente adoro; “Quando tudo muda”, Panda Books, que foi finalista do “Prêmio Jabuti”, na categoria juvenil, em 2017, e aborda temas atuais como integração, aprendizados e o respeito ao outro, enquanto conta a história de uma garota de treze anos que é obrigada a se mudar para a Alemanha com a mãe, após a separação dos pais.

 

E não posso deixar de falar do novo “Morte na Neve”, Editora Duna Duetto, que vai sair também em alemão, pela Editora Gira Brasil, e tem lançamento previsto na Feira de Frankfurt, em outubro.

 

Seus livros já foram traduzidos para outros idiomas. Qual foi o mais inesperado?

Com certeza o romeno! Eu amo a Romênia e a oportunidade de lançar meus livros nesse país fantástico foi algo excepcionalmente maravilhoso. Já são três livros traduzidos e o quarto está a caminho.

 

Acabei criando laços com eles: acabo de confirmar minha presença como convidada da Jornada da Cultura Latino-Americana, promovida pelo Museu de Literatura da Romênia, com apoio de Embaixadas, inclusive a do Brasil, que vai acontecer nos dias 3 e 4 de outubro.

 

Você foi convidada para participar da Flip (um dos grandes eventos literários do país, em Paraty) esse ano. Como foi a experiência?

Maravilhosa! Participei de duas mesas de discussão, reencontrei amigos queridos, curti os lançamentos. Mas o melhor mesmo é ver a cidade inteira envolvida com a literatura. A Flip é um evento único. Começou pela iniciativa de uma inglesa, Liz Calder, e foi pioneira em ocupar espaços públicos com cultura. O desejo dela era fazer uma festa literária sofisticada com autores top, no modelo das que acontecem na Inglaterra e em outros países. Mas o evento cresceu e se tornou mais democrático, envolvendo também autores iniciantes e editoras pequenas. Um must!

 

Você mora na Alemanha há bastante tempo. Como a experiência de viver no exterior impactou a sua obra?

De diversas formas. Uma delas é ver o mundo com outro olhar, expandir a mente, conhecer uma cultura diferente.

 

Outra, mais pessoal, foi uma questão de foco. No Brasil, eu trabalhava muito diretamente com as escolas e livrarias, contando histórias e conversando com os alunos. Eu adorava, mas tomava demais o meu tempo, e eu acabava escrevendo menos do que deveria. Quando vim pra Alemanha, eu não conhecia quase ninguém; além disso, fazia frio e eu não tinha vontade de sair na rua. Comecei a escrever muito mais, a me dedicar mais. Até hoje é assim: quando estou no Brasil, estou divulgando meu trabalho; Munique se tornou o meu cantinho de escrever. Mas estou também começando a trabalhar com escolas na Alemanha, então, quem sabe como será no futuro?!

 

Recentemente você lançou o livro “Morte na Neve”. O que podemos esperar dessa história?

Esse é o meu filho caçula e o queridinho do momento, recomendado para crianças de dez anos ou mais. A quarta capa diz:

 

 

“O que pode ser mais complicado numa investigação: uma pista falsa ou a ausência de pistas? Quando sucessivas mortes começam a acontecer, uma tranquila cidade na Alemanha fica em pânico. Tudo indica que as pessoas morreram de frio. Mas como isso seria possível, se todos ali estão habituados à neve e bem preparados para os invernos rigorosos dos Alpes Bávaros? Então... Como elas morreram? E por quê? A jovem e inquieta investigadora Cherin Jolibec não aceita explicações vagas e, à procura de respostas, encara o criminoso mesmo sem saber quem ele é. Para ela não existem crimes indecifráveis.”

 

Crianças e jovens (e muitos adultos também!) adoram mistério, fantasia, aventura. E uma morte ou assassinato sempre desperta a curiosidade dos leitores...

 

 

Já escrevi vários livros que falam da Alemanha ou que a têm como cenário. Afinal, é aqui que eu moro, ela faz parte da minha vida. Normalmente, o povo alemão gosta do Brasil, mas a referência é o Carnaval, a Amazônia, os indígenas. Quando sugeri esse livro para a Gira Brasil, pensei na trama, no cenário e nas personagens, que têm uma pegada alemã, capaz de proporcionar uma melhor “identificação”.

 

Inspirada nas cidades alemãs das montanhas, com estação de esqui e lago azul, a ação de “Morte na Neve” se passa em Wildsee.

 

Mas não procure por ela no mapa. Ela só existe no livro.

 

Vamos fazer um bate-bola. Responda com uma palavra ou frase:

Um livro: A Religiosa, de Diderot, um clássico da literatura francesa

 

Um autor (a): Marina Colasanti

 

Uma música: Something, dos Beatles

 

Brasil é: minha casa

 

Amor é: uma das coisas mais importantes da vida. Sou uma romântica!

 

Escrever é: a minha vida. É o que faço o dia inteiro! E, às vezes, de noite também!

 

 

Que mensagem você deixaria para seus leitores?

Leiam muito! A leitura nos enriquece, mostra novos mundos, amplia nossos horizontes. É lendo que a gente aprende a lidar com a vida.

 

 


Sobre a autora

Autora de muitos livros, contadora de histórias, palestrante internacional e tradutora, Regina Drummond nasceu em Minas Gerais. É formada em Língua e Literatura Francesas. Fala inglês, francês e alemão. Mora em algum lugar entre Munique, na Alemanha, e São Paulo, no Brasil.

 

Seus trabalhos já receberam vários prêmios e destaques, entre eles, selos "Acervo Básico" e "Altamente Recomendável", da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil; um "Prêmio Jabuti", da Câmara Brasileira do Livro, como editora, e uma indicação para o mesmo prêmio como autora, além de terem sido traduzidos para outros idiomas.

 

www.reginadrummond.com

 


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