Entrevistando Escritores Expatriados: Carolina Giannoni Camargo e a luta contra o bullying

Bullying é um fenômeno social que, infelizmente, cresce no mundo inteiro. Bullying é a prática de atos violentos, intencionais e sistemáticos, contra uma pessoa indefesa, que podem causar danos físicos e psicológicos às vítimas. O termo surgiu a partir do inglês bully, palavra que significa tirano, brigão ou valentão, na tradução para o português.

 

Na Alemanha, mais de metade de todas as crianças e adolescentes já vivenciaram exclusão, provocações ou violência física na escola, de acordo com a Bertelsmann Foundation.

 

São mais de 1,4 milhões de jovens que viveram o bullying, mais conhecido como mobbying.

 

O caso brasileiro é ainda pior: de acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), O ambiente das escolas brasileiras é duas vezes mais suscetível ao bullying do que a média geral das instituições de ensino em 48 países.

 

A melhor forma de combater o bullying é começando com a informação. Tive a oportunidade de conversar com a pedagoga e especialista em bullying, Carolina Giannoni Camargo, que escreveu dois livros sobre o tema.

 

(Baiana da Baviera) Carolina, você lançou dois livros sobre bullying. De onde vem o seu interesse pelo tema?

 

Olá Manuela, primeiramente é um prazer participar do seu blog, que é muito inspirador e interessante. Em 2005 eu trabalhava em uma escola em Campinas e recebi da minha coordenadora um livro sobre bullying para eu ler. Eu não sabia o que significava aquela palavrinha nova para meus ouvidos, mas ao terminar de ler o livro eu percebi que eu havia sido alvo de bullying na adolescência. Tudo aquilo que eu havia passado não era uma “simples brincadeira” que acontece entre crianças e adolescentes, mas sim uma violência com características próprias. Desde então pesquiso e trabalho com o tema.

 

(Baiana da Baviera) Muitas escolas e pais são resistentes à ideia de bullying, normalizando comportamentos como “criança é assim mesmo”. Na sua experiência, como podemos buscar apoio?

É muito importante saber separar o que é bullying de outros conflitos existentes na escola. Hoje em dia é muito fácil achar informações corretas sobre bullying e qual a melhor forma de agir. Frases como a que você citou acima, Manuela, realmente atrapalham a identificação dos casos de bullying. Os pais e as escolas precisam assumir a existência do bullying e investigar o possível envolvimento da criança ou adolescente, impedindo que o caso se perca entre mitos e descasos. Como? Informação é o primeiro passo.

 

“Saber identificar um caso de bullying é importante, e quanto mais cedo isso ocorrer menor a chance das consequências se agravarem. É comum o bullying ser confundido com brincadeiras comuns entre jovens, “coisas da idade”, típicas da adolescência. Todavia, a brincadeira só existe quando todos os participantes de divertem, o contrário disso chama-se bullying. Precisamos desmascarar essa violência”.

 

 

(Baiana da Baviera) O cyberbullying, principalmente com crianças, vem crescendo mundialmente. Que dicas você daria aos pais para evitar esse problema?

 

Orientar quanto aos benefícios e perigos que a internet possibilita; conversar sobre o que é bullying e quais as consequências para os alvos dessa violência; estipular limites e regras sobre o uso do tempo e a internet; estar atento ao conteúdo acessado pelo filho na internet; não “esquecer” a criança no tablet, celular ou computador; estar presente na vida dos filhos. Essas dicas não previnem apenas o envolvimento da criança com o cyberbullying, servem também como ajuda na prevenção de outros perigos como pedofilia e rapto de crianças, por exemplo.

 

(Baiana da Baviera) Você teve a oportunidade de ver casos no Brasil e na Alemanha. Existem diferenças no bullying entre os dois países?

 

Não há diferença, o bullying se manifesta de forma semelhante em qualquer lugar do mundo. Por ser uma situação de agressão física e/ou psicológica que e acontece entre pares de maneira intencional, frequente e gratuita, podemos identificar casos de bullying em qualquer lugar que existam relações sociais de mesma hierarquia, como por exemplo nas escolas, clubes e associações.

 

“Assédio Moral e Mobbing são duas ações agressivas causadas por uma pessoa que um dia foi criança e cresceu sem que pudesse aprender outra forma de se relacionar senão pelo uso da força e violência”.

 

 

(Baiana da Baviera) Também vemos bullying no mercado de trabalho. Como empregado(a)s podem agir numa situação de bullying?

Um funcionário que sofre bullying pode comunicar o caso para o seu superior pessoalmente ou por email e explicar que essa determinada situação atrapalha o seu rendimento profissional e sua vida pessoal. Agora se a pessoa que comete as agressões verbais e psicológicas for o chefe deste funcionário, então dizemos que é assédio moral, e este pode procurar um colega de trabalho, outro responsável ou até mesmo o sindicato para contar sobre o caso e buscar soluções. É muito comum casos de assédio moral nas empresas acabar em processos jurídicos.

 

(Baiana da Baviera) Bullying é um assunto subjetivo que nem sempre é levado a sério, mas pode ter consequências nefastas. Como as pessoas podem identificar o bullying no dia a dia para tomar providências?

 

Existem inúmeras formas de identificar um caso de bullying. As escolas podem trabalhar com o tema bullying, sensibilizando seus alunos e os incentivando a denunciar; podem capacitar seus professores por meio de cursos sobre o tema; e também dar atenção para as queixas dos seus alunos. Os pais podem prestar atenção no comportando dos seus filhos; conversar sobre o bullying e outros assuntos que envolvam escola, clubes e amigos; vivenciar momentos prazerosos com seus filhos construindo um ambiente de comunicação.

 

“O alvo de bullying espera por ajuda, amparo; precisa ter certeza de que seu problema possui solução; deve estar sob proteção de um adulto na escola. O alvo de bullying não quer escutar de seus pais que ele deve resolver este problema sozinho ou revidar com violência”.


(Baiana da Baviera) Existem algumas metodologias para anular ou diminuir os efeitos do bullying, como a abordagem "no blame" (sem culpa). Que abordagens você recomendaria?

 

Qualquer que seja o caminho escolhido para a resolução de um caso de bullying, o que se deve ter em mente é que ambos os envolvidos – autor das agressões e o alvo – precisam aprender algo, precisam transformar as suas formas de se relacionar com os outros. Nem agressiva, nem submissa, essas crianças precisam aprender a ter o respeito como base das suas relações sociais: precisam saber se respeitar e respeitar o outro.

 

(Baiana da Baviera) Bullying é um tema importante nos dias de hoje e quanto mais informação, melhor! Como podemos achar os seus livros?

Através do site da editora Chiado (deixo o link aqui: https://www.chiadobooks.com/livraria/bullying-a-violencia-mascarada) vocês poderão comprar o meu livro “Bullying: a violência mascarada” por apenas 9 euros. Caso desejarem outros materiais como a apostila “O que os pais precisam saber sobre bullying” ou artigos meus como o: “bullying na educação infantil”, entrem em contato através do email: contato.bullyingconsultoria@gmail.com

 

 

Confira os livros da Carolina sobre bullying.

 

Sobre a autora

Carolina Giannoni Camargo é graduada em Pedagogia pela Universidade Estadual de Campinas, Unicamp. No ano de 2005, iniciou suas pesquisas e estudos sobre o tema bullying. No início de 2009, criou o Blog "Bully: no bullying!", um dos pioneiros sobre o tema no Brasil. Neste mesmo ano, fundou a Assessoria Pedagógica Semeare.

 

Em 2011, ano em que se mudou para a Alemanha, se tornou pesquisadora independente sobre bullying e violência escolar. Possui livros, artigos publicados em revistas, participa de programas de televisão e rádio e desenvolve materiais pedagógicos sobre bullying.

 

Entre em  contato: contato.bullyingconsultoria@gmail.com

 


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