Quantas vezes numa viagem vemos a vida com outros olhos? Os bastidores de Ventos Nômades

Inquietude... uma sensação que me persegue desde pequena. A curiosidade de conhecer o mundo, ir além das fronteiras brasileiras era talvez o meu maior desejo. Por mais que amasse Salvador, minha cidade, me parecia um lugar isolado: de um lado, o oceano, de outro, milhares de quilômetros de Brasil. Queria ir além, partir para a estrada, um desejo incontrolável de ver esse mundão de Deus.

 

O tal de Wanderlust, uma expressão alemã que expressa essa vontade incontrolável de explorar (wandern vem de caminhar; lust vem de vontade ou desejo) não é algo que todas as pessoas experimentam. Se para mim era algo natural, para outros é moda, coisa desnecessária. Existem pessoas plenamente satisfeitas no lugar onde estão. Em Salvador, com suas belíssimas tradições, como não se sentir à vontade, não querer permanecer a vida inteira?

 

Alguns acham que essa coisa de viajar, de mochileiro, é tudo moda. E têm um pouco de razão; afinal, é essa explosão de curiosidade que cria a massificação do turismo, as selfies de felicidade velada nas mídias sociais. Mas para alguns, viajar é, paradoxalmente, uma forma de se encontrar. É uma forma de ver o diferente com olhos de criança, porque ao longo da vida perdemos essa habilidade de apreciar o que nos é conhecido e rotineiro. Às vezes, num lugar diferente, você vê sua vida com outros olhos. Você novamente dá valor a certas coisas, você repensa sua vida. Quantas vezes nossa vida dá uma guinada ou decisões são tomadas quando saímos da nossa rotina e temos a oportunidade de ver nossa realidade sob uma ótica distinta?

 

Viajar não é só uma jornada para relaxar, tirar fotos, fazer turismo. É verdade, existem viagens de "cartão postal", aqueles passeios em que você vê um monumento ou lugar turístico, tira a foto e só. Mas também existem aquelas viagens que são como um passaporte para conhecermos outras realidades, religiões, culturas, tradições. O porquê das coisas. Você pode viajar como se colocasse apenas os pés no mar, e não deixar todo o seu corpo mergulhar no oceano. Às vezes viajamos de um jeito, às vezes de outro. Mas independentemente de quão profundo nós mergulhamos, conhecer um lugar diferente pode mudar a sua vida para sempre.

 

Foi nessa onda que eu tive a inspiração de escrever Ventos Nômades, um livro de contos com histórias sobre como ver o mundo além das fronteiras brasileiras, como às vezes sair da nossa zona de conforto nos faz crescer e ver o mundo com outros olhos. E isso pode acontecer de diversas maneiras... pode ser que nessa viagem você faça uma amizade para a vida inteira, encontre o amor de sua vida, trabalhe num lugar inspirador, aprenda novas formas de pensar, crie mais tolerância com o diferente.

 

Pelo mundo com Ventos Nômades...

Meu muito obrigada aos amigos que mandaram fotos!

 

Assim como muita gente que saiu do Brasil para viver fora - temporariamente ou não - eu tenho muitas histórias para contar. Muitos causos, histórias de amor, perrengues, choques culturais, amizades inesperadas, vontade de explorar o mundo (o tal Wanderlust!), e tantas, mas tantas outras sensações de ver o mundo. Tem histórias auto-biográficas, histórias inspiradas em amigos, histórias completamente imaginadas. Mas todas feitas do mesmo tecido: viajar.

 

Tantas experiências assim cabiam num livro, escritas para quem tem vontade de viajar - mesmo que seja sem sair de casa. Escrever sobre o coração dividido, as dúvidas diante do futuro, a eterna esperança de um dia, quem sabe um dia, voltar. É nesse espírito de dividir experiências e perceber que não estou sozinha nessas sensações que muitos não conseguem entender.

 

Apesar de ter um pouco de inveja daquelas pessoas que sabem onde querem viver, que têm aquela forte certeza da sua casa, me sinto privilegiada de ter abraçado todas as oportunidades de viajar e viver fora do Brasil. Talvez esse Wanderlust nunca vá embora, talvez um dia eu aquiete o facho, sei lá. Mas até lá, estarei compartilhando com vocês esses meus sentimentos, experiências e histórias, seja através do blog ou da literatura. Obrigada, querido(a) leitor(a), por viajar comigo em meus textos. É um privilégio tê-los aqui!

 


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