Simplificando a vida em 2019

O último ano foi conturbado e, quando notei, o caos invadiu a minha casa. A minha vida também, porque a casa é um reflexo de si mesmo, de certa forma. Acumulei muitas coisas nesses últimos tempos, seja porque não mais serviam e eu não tive tempo ou coragem de jogar fora, seja porque nem notei.

 

 

Na tranquilidade de fim de ano, eu andava pela casa e só via coisas. Coisas, coisas, coisas. E olha que não sou daquelas pessoas que se apegam à coisas – pelo menos eu não me considerava assim. Me lembrei de minha mãe, que tem verdadeiro pavor de jogar qualquer coisa fora, porque nunca se sabe se um dia vai precisar de novo.

 

Meu filho tem mais brinquedos que precisa. Meu marido, com uma quedinha por eletrônicos, comprou coisas no ano passado que nem tirou da caixa. Queria experimentar uma coisa aqui, outra ali, e depois se esqueceu. Já eu fui acumulando peças de decoração, e sempre tenho uma ideia em mente do que mudar em casa. Resultado: um monte de quinquilharias acumuladas pelos cantos.

 

Nunca fomos pessoas ostensivas, eu e meu marido. Não ficamos colocando fotos em redes sociais do que fazemos e deixamos de fazer. Não compro roupas caras ou de marca e nunca me considerei uma pessoa consumista. Geralmente preferimos gastar nosso dinheiro com viagens e experiências, mas ainda assim fomos acumulando e acumulando. A montanha de bagulhos me confronta, como se perguntasse: o que deu errado, Manuela?

 

No ano passado esse sentimento de que eu precisava desacelerar o consumo e o gasto excessivo por coisas irrelevantes já se embrenhava na minha cabeça – mas de mansinho. Não tenho mais uma faxineira, que passava míseras três horas por semana no meu apartamento. Reduzi drasticamente o consumo de roupas. Pedi encarecidamente para o marido comprar eletrônicos só em caso de necessidade. Começamos a consumir menos carne, porque no final das contas o corpo não precisa ingerir carne todo santo dia. Evitar de matar mais animais que o necessário foi um benefício extra.

 

Aos pouquinhos foi me dando aquela vontade de possuir menos, consumir menos, gastar menos dinheiro com bobagem. Precisava me desapegar de muitas coisas; senão 2019 minha vida continuaria um caos de coisas se multiplicando pela casa e na minha vida.

 

Fui pensando em como somos programados para consumir cada vez mais. É o tal do fast fashion (moda rápida) e do retail therapy (terapia de compras) te instigando a consumir aquele novo produto que promete mundos e fundos. O desperdício também está sempre nas notícias, não só de comida, mas de tudo. A marca de roupas Burberry destruiu o seu estoque excessivo no valor de 30 milhões de euros, reforçando um hábito de desperdício que assola todos nós.

 

Um estudo que li outro dia recomenda uma redução no consumo de carne para evitar mudanças climáticas. Mas ao invés de verem as óbvias consequências do consumo de carne desenfreado, muitos comentavam que f***da-se o meio-ambiente, que o importante é comer churrasco todo fim de semana. Que não precisamos reduzir nada mesmo, que tudo é um complô.

 

Se é um complô eu não sei, mas me pergunto: precisamos mesmo consumir tanto? Ostentar e desperdiçar? Isso nos faz mais felizes? Mais satisfeitos com a vida? Eu duvido.

 

Talvez faça parte da minha crise da meia-idade, mas ultimamente tenho pensado muito em minimalismo. Não é deixar de consumir coisas, não é virar vegetariana, vegana, asceta ou hippie. É apenas uma forma de conter esse capitalismo selvagem que no final das contas beneficia apenas aqueles que desejam um crescimento econômico desenfreado. O consumismo não me beneficia em nada e não preenche os meus vazios, quando paro para refletir.

 

A vida fica mais fácil quando não temos que manter um padrão de vida para manter as aparências. Ou quando conseguimos economizar uma graninha ao deixamos de consumir o que não precisamos. É uma forma de focar na qualidade ao invés da quantidade e consumir produtos com mais consciência. É uma forma de libertação, até.

 

Em 2019, vou experimentar esse novo conceito com mais afinco. Acredito na simplicidade de viver e como são as nossas experiências que nos moldam, e não as coisas que compramos. Não é uma promessa, mas um processo que começou e que, eu espero, continue por um longo tempo... quem sabe 2019 será um ano com menos coisas e mais qualidade de vida?

 


Gostou do artigo? Siga a Baiana da Baviera


Receba novidades por email. Inscreva-se: