Mistérios em Munique: 5 Lugares Imperdíveis

Famosa devido à  Oktoberfest, Munique é muito mais que o festival da cerveja. Muitos marcos da cidade são conhecidos mundialmente, como a Marienplatz ou a história da cidade na Segunda Guerra Mundial. Essa cidade multi-facetada tem muitos tesouros escondidos que passam desapercebidos pelos  turistas.

 

Aqui eu reuni experiências e locais pouco conhecidos, muitas vezes estranhas, às vezes assustadoras, mas sempre valem a pena serem vistas em Munique, para procurar sua próxima viagem.

 

Ficou curioso(a)? Então confira cinco lugares imperdíveis na cidade.

 

 

1. Pegada do diabo na Frauenkirche

Se você não acredita em demônio, sugiro que reveja as suas crenças. Isso porque existe uma pegada do diabo na catedral de Munique – a Frauenkirche, bem no centro da cidade.

 

Segundo a lenda, em 1468 o arquiteto Jorg von Halspach foi à procura de dinheiro para construir uma nova catedral em Munique e acabou fazendo uma barganha com o Diabo, que forneceria os fundos para a construção sob a condição de que fosse uma celebração da escuridão, sem janelas para deixar entrar a luz.

 

Quando o prédio estava completo, Von Helpach levou o Diabo para examinar seu trabalho e mostrar-lhe que havia sustentado sua parte no trato. Embora houvesse luz, parecia não haver janelas, e o diabo estava satisfeito. Mas então, quando ele deu outro passo adiante, as colunas que bloqueavam a visão das janelas se abriram e, em sua fúria por ser enganado, ele bateu o pé, marcando para sempre o chão com sua pegada negra.

 

Infelizmente (ou não, né?), existem alguns problemas com o mito da pegada do diabo.

 

O primeiro problema é há uma enorme janela no final da igreja que não está bloqueada por colunas. Estava escondido atrás de um altar enorme entre 1620-1858, então é possível que a história tenha surgido durante esse período de tempo.

 

O segundo problema é com a marca em si - a grande pegada é inserida em um ladrilho que não corresponde ao piso ao redor, o que sugere ter sido construída justamente para abrigar a tal pegada. A igreja foi restaurada várias vezes ao longo dos séculos, um enorme esforço de restauração seguiu o colapso do telhado na Segunda Guerra Mundial, com alguns trabalhos terminando recentemente em 1994. Então seria a pegada uma reconstrução ou de verdade? O mistério continua.

 

2. Esqueleto coberto de joias na Alter Peter

A Igreja de São Pedro - ou "Alter Peter" (velho Pedro) - é a mais antiga de Munique, com evidência documentada desde 1158. Apesar da beleza e da claridade da igreja, com muita luz entrando através dos vitrais, um detalhe mórbido adorna uma das capelas à esquerda da entrada.

 

Preste atenção e logo você verá um caixão de vidro com o esqueleto de Santa Munditia, a santa padroeira das solteiras. Costurado em um corpo transparente coberto com ouro e joias, com olhos de vidro olhando para cima, seus restos encontra-se na Alter Peter desde a sua transferência das catacumbas romanas em 1675. Acredita-se que a santa tenha sido martirizada no ano 310 d.C., decapitada com uma machadinha.

Um recipiente de vidro cheio de sangue seco, uma relíquia de seu martírio, está em sua mão. Todos os anos, um dia de festa é realizado em sua homenagem no dia 17 de novembro.

 

 

3.  Escultura “Umschreibung”

Para quem curte algo mais moderno, a escultura Umschreibung é uma boa pedida.

 

Escondido dentro de um prédio de escritórios em Munique, uma escadaria aparentemente leva você ... a lugar nenhum. "Umschreibung" não é de fato uma escadaria, mas uma sinistra escultura do artista dinamarquês Olafur Eliasson. A escultura, feita de aço e com mais de 30 metros de altura, é uma escadaria em forma de dupla hélice. O fundo dos degraus tem uma pequena abertura para que você possa subir as escadas sozinho.

 

A vida não leva a lugar nenhum mesmo... foto by Atlas Obscura.

 

"Umschreibung" é uma palavra alemã que significa "eufemismo" ou "circunlocução" e as palavras "circunscrição" ou "perífrase" - um movimento sem destino. O que o artista tinha em mente quando criou a escultura em 2004? Minha aposta é que que a nossa vida é um emaranhado de sobes e desces, que nem sempre levam a algum lugar, um movimento contínuo da nossa existência.

 

A escultura está localizada no meio do pátio do prédio da KPMG na Ganghoferstaße 29, perto do Bavaria Park.

 

4. Leões da Residência dos Reis Bávaros

Quem vive em Munique sabe que esfregar o focinho dos leões de bronze em frente ao Residenz (Residência dos Reis Bávaros) traz sorte. Mas de onde vem essa lenda?

 

Existem muitas lendas, mas uma delas prevalece: na época do rei Ludwig I, era considerado indecente que homens só tivessem amantes ou tivessem outras mulheres abaixo da esposa (sempre foi indecente, né?). Mas o rei pouco se importava com isso e sentia-se atraído por Lola Montez, uma dançarina irlandesa. Aparentemente, esse escândalo deixou um jovem estudante tão irritado a ponto de escrever uma carta de protesto, pregada na porta do Residenz. Ao tomar conhecimento da carta, o rei mandou procurar o cidadão para puni-lo. Ao ser capturado após mais uma carta indignada, o estudante foi milagrosamente perdoado pelo rei. De tanta felicidade o rapaz correu tocando os focinhos do leões da residência do rei. A partir desse momento, tocar nos focinhos tornou-se um símbolo de sorte.

 

Para os superticiosos, fiquem sabendo que as estátuas são réplicas, pois devido aos toques o bronze das estátuas começou a desbotar. As estátuas originais estão no museu do Residenz.

 

5. Viscardigasse

Após o abortado Beer Hall Putsch de 1923 e a subseqüente ascensão do partido nazista, o Feldherrnhalle (na Odeonsplatz) tornou-se um monumento ao movimento de Hitler, com os pedestres esperavam a saudação quando passavam, mas o beco próximo de Viscardigasse oferecia uma rota alternativa para aqueles que se recusassem a mostrar seu apoio à causa nazista.

 

A conflagração política comumente conhecida como Putsch da Sala da Cerveja viu a morte de quatro policiais bávaros e 16 manifestantes nazistas à sombra do monumental Feldherrnhalle. Esse confronto levou à prisão de Adolf Hitler por traição e reuniu o futuro líder em sua primeira atenção nacional que eventualmente levaria a sua ascensão no poder. Uma vez que o partido nazista finalmente se tornou o condutor político na Alemanha, Hitler declarou que o local era um marco nacional, exigindo que os transeuntes realizassem a Hitlergruß (saudação nazista). Oficiais estavam estacionados no local para garantir que isso acontecesse.

 

No entanto, nem todos apoiavam Hitler ou o partido nazista e, como um ato de resistência passiva, esses opositores tomavam uma rota alternativa ao redor do monumento, usando o beco Viscardigasse. Originalmente batizada com o nome de um famoso arquiteto suíço, a estrada estreita logo se tornou conhecida entre os moradores locais como "Drueckebergergasse", traduzida aproximadamente como “Beco do Desertor”.

 

Hoje, o pequeno beco é uma passarela apenas para pedestres com uma trilha sinuosa de tijolos de pavimentação bronzeada comemorando os bravos alemães que se recusaram a dar a Hitler a satisfação de uma saudação.

 


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