Então é Natal... tempo de amor, família, reflexão e... literatura!

Como 2017 passou rápido, não é mesmo? O Natal está quase chegando e com ele aquela sensação gostosa de amor, solidariedade, tudo de bom na vida. É também tempo de relaxar, curtir a vida e, é claro, se deliciar com leituras maravilhosas.

 

Aproveite a estação tranquila (e calórica) para desfrutar de novas leituras.

 

Confira minhas recomendações literárias de Natal!

 

 

      

O esquisito: Cordilheira, de Daniel Galera

Potencial natalino: ZERO!

Sabe aquele livro que você não consegue decidir se gostou ou não?

Assim foi com Cordilheira, de Daniel Galera. A obra conta a história de Anita, uma escritora brasileira que vai a Buenos Aires para promover o seu livro algum tempo após seu pai falecer. A moça de 29 anos nunca teve mãe, que morreu no seu parto. Sua maior obsessão é ser mãe, uma forma de compensação, necessidade intensa de ter família, mas nem o namorado nem as amigas a compreendem. Em Buenos Aires, ela se distancia dessa realidade e se deixa envolver por um portenho, que se dizer chamar de Holder (mas não é seu nome verdadeiro). Até ela se envolver com uma espécie de seita literária cujos integrantes vivem como os personagens dos livros que escreveram, alguns de forma assustadora. A vida imita a arte, ou vice-versa?

 

Anita é meticulosamente escolhida por Holder para dar cabo de seu plano sinistro. Ela se deixa envolver, como se não tivesse mais nada a perder na vida, uma mistura de curiosidade para ver no que vai dar e um toque de irresponsabilidade. Pensamentos rolam sobre o papel da literatura, o sentido da vida, as loucuras de cada um de nós. 

 

O que mais me chamou a atenção dessa obra foi, na verdade, a escrita. Existem passagens lindamente escritas, apesar da história do começo ao meio não ser nada demais. O escritor é capaz de passagens como Equivalência entre o imaginado e o vivido, e o fato de eu atribuir um valor radicamente maior ao segundo era a explicação mais provável para meu desencanto com minha própria escrita e  Cuidado, argentina que usa muito diminutivo gosta de chupar pau. Enfim, a capacidade do escritor de criar frases líricas assim como vulgares ou cafonas envolve o leitor.

 

Como disse, do começo até o meio não achei a obra nada demais. Mas daí chega a metade do livro – e pimba! Reviravolta. Algo inesperado e criativo. Coisas que te fazem pensar. Ao notar que os detalhes da obra ficaram piscando na minha cabeça, não tinha porque não apreciar a obra sagaz de Daniel Galera. Não é à toa que ele é um dos escritores brasileiros mais promissores por aí.

 

O independente: As Flechas de Tarian, de Camila M. Guerra

Potencial natalino: CHEGANDO PERTO...

São raras as vezes em que me surpreendi com uma obra independente; esse foi o caso com As Flechas de Tarian. A obra mistura fantasia, paranormal, um quê espiritual. Não é exatamente o meu tipo de livro, mas gostei.

 

O livro conta a história da colônia de Tarian, habitada por almas que, após resgatadas, lutam pela liberdade de viver além do corpo. Conta a história que no plano físico as pessoas vivem num estado de ignorância e confusão, governado por almas de moral questionável que procuram mandar as almas de volta à vida num eterno ciclo que reincarnações, algo que não traz paz. As flechas, como são chamadas as almas que fazem tais resgates, lutam contra os batedores, os vilões que nos prendem a esse ciclo eterno de sofrimento.

 

Esse mundo mais elevado sobrevive graças a almas que se rebelaram contra tal sistema. Assim é a história de duas almas que se reencontram em Tarian – Hugo e Anne – que passaram inúmeras reencarnações de encontros mas sem poder viver seu amor plenamente. E é esse amor a fonte das grandes transformações. Na obra, a autora teoriza de onde vem os deuses, porque a raça humana comete os mesmos erros, sem nunca aprender com eles. A autora nos mostra momentos de profundidade, de emoção, com algumas boas reviravoltas.

 

Com certeza As Flechas de Tarian foi uma boa surpresa!

 

O esperançoso: Extremamente Alto & Incrivelmente Perto, de Jonathan Safran Foer

Potencial natalino: UI, TÁ QUASE LÁ...

Já tinha ouvido falar da genialidade desse jovem autor americano, Jonathan Safran Foer. De fato, a obra Extremamente Alto & Incrivelmente Perto (que coincidentemente é traduzido para o português pelo Daniel Galera), é uma daquelas histórias que restoram sua fé na humanidade.

 

Tudo começa com Oskar, um menino super esperto que perdeu seu pai no atentado de 11 de setembro de 2001. Muito apegado ao pai, Oskar mostra sua sofreguidão de criança de uma forma honesta, às vezes até engraçada. Ele não entende porque sua mãe não demonstra tanto sofrimento quanto ele, não consegue passar por cima de tudo o que aconteceu. Até que ele acha uma chave misteriosa num vaso escondido no armário, e toma o achado como um sinal de que seu pai havia lhe dado um desafio, algo que traria seu pai para perto. Oskar se apega à essa procura, encontra pessoas com as mais diferentes experiências de vida. É o começo do longo caminho para dar sossego ao seu coração.

 

Ao mesmo tempo, a obra conta a história dos avós de Oskar, que cresceram na Alemanha nazista. Em Dresden seu avô perdeu suas esperanças de ser feliz, e na sua esposa mal conseguiu encontrar uma forma de se apegar a alguém. Ele não conseguia – e não queria – viver. Sua avó, contrariamente, apega-se ao filho e mais tarde ao neto, duas pessoas que dão à sua existência o significado de que ela precisa. Mas após o atentado tudo muda, e essas duas pessoas tão sofridas vão reencontrar o poder do amor.

 

E assim é essa história original, visual (o livro contém diversas fotografias do universo de Oskar) e simplesmente lindo. Jonathan Safran Foer deu ao seu país uma obra que traz esperança ao capítulo mais negro já vivido pelos americanos, e talvez por isso essa obra tenha tido tanto impacto lá nos Estados Unidos.

 

O natalino (e clássico): Um Conto de Natal, de Charles Dickens

Potencial natalino: HO, HO, HO, ALERTA MÁXIMO DE NATAL!

Um Conto de Natal é provavelmente a obra mais famosa em termos natalinos; até hoje existem novas versões ou menções dessa obra. O clássico de Dickens, publicado em 1843 e instantaneamente um sucesso, conta a história do velho amargo e avarento Ebenezer Scrooge (que, por sinal, foi inspiração para o Tio Patinhas). O homem tem pavor de Natal e da bondade que a época desperta nas pessoas, em contraste com seu empregado Bob Cratchit e seu sobrinho Fred que, apesar da pobreza, são felizes, com vidas completas.

 

Numa noite de Natal, Scrooge recebe a visita do espírito de seu sócio Marley, que o avisa da futura aparição dos Espíritos de Natal – o Espírito do Passado, do Presente e do Futuro. E assim esses espíritos levam Scrooge a uma viagem pelo tempo e pelas pessoas ao seu redor. Nesse redemoinho de descobertas, o velho vê como as pessoas o odeiam, mas como são felizes apesar da pobreza, como a generosidade traz felicidade. Essa jornada fantástica desperta o lado bom de Scrooge, esquecido em algum lugar de si, mas que ainda existe. É lógico, ao final o homem se transforma da água para o vinho, e promete viver cada um dos seus dias com o espírito natalino dentro de si.

 

A mensagem de Charles Dickens é poderosa mesmo hoje, então imagina só naquela época. A moral da história é simples: trate outrém como você quer ser tratado, seja generoso, seja bom. Só assim podemos viver o espírito do Natal todos os dias – e fazer o mundo melhor.

 

E assim desejo a vocês, queridos leitores, um lindo Natal e um Ano Novo maravilhoso, repleto de paz, amor e saúde! Até 2018!  

 


Gostou do artigo? Siga a Baiana da Baviera!