Heidelberg, meine Liebe

Querida Heidelberg,

 

Há dez anos atrás te conheci, e nas passagens do castelo vermelho ao pé do vale do Neckar perdi meu coração, romance pairando em toda esquina. As ruínas do castelo de oito séculos atrás foi o cenário perfeito para a minha história de amor. Foi assim comigo, lá encontrando o meu companheiro de uma década, e imagino que com muitas pessoas também.

 

O clima romântico já devia pairar nesse lugar especial há muito tempo; não é à toa que a entrada do castelo é o Portão de Elisabeth, construído em partes e erigido em apenas uma noite em 1615 como presente de aniversário para Elisabeth Stuart pelo marido, o príncipe Frederic V. Se isso não é prova de amor, o que é?

 

Um gesto de amor: O Portão de Elisabeth (Elisabethentor), no Castelo de Heidelberg

 

Alcançar o Heidelberger Schloss na colina de Königstuhl é uma boa caminhada acima, nem sempre prazerosa, assim como os percalços do amor. Mas a recompensa de quando se chega no castelo de arenito vermelho é incomparável: a construção que desafia as intempéries do tempo nos presenteia com um castelo de beleza inigualável, mesmo após ser vítima de guerras, de incêndios provocados por relâmpagos, do descaso de reis e príncipes que queriam construir seus próprios castelos. Você, Heidelberg resistiu: virou símbolo do sentimento patriótico contra Napoleão no século XIX, foi inspiração para grandes nomes da arte como o pintor inglês J.M.W. Turner e o escritor norte-americano Mark Twain. Ah, como não dar uma segunda chance ao castelo de Heidelberg e renová-lo em busca do antigo esplendor?

 

Impressões das ruínas do castelo mais romântico da Alemanha

 

De alguma forma, talvez você saiba que a ruína do castelo te ajudou a formar a cidade, a criar as belas casas e edifícios da Altstadt com a mesma pedra vermelha, o que te deu o aspecto de romance que é impossível não notar. Do Karlstor (Portão de Carlos) até as igrejas, a silhueta da ponte de pedra Karl Theodor, e as lindas casas que adornam a Hauptstrasse e arredores, tudo parece milimetricamente preparado para renovar votos de amor, de ter novamente vontade de dar um beijo e andar de mãos dadas...

 

Impressões de Heidelberg: love is in the air!

 

Atravessando a ponte, paramos para ver o rio Neckar, e notamos que também nessa ponte existem alguns cadeados presos, casais que desejam celebrar sua união num de seus monumentos mais notáveis. Do outro lado do rio, seu espírito romântico é comemorado com a Liebesstein (Pedra do Amor), uma escultura simples do mesmo arenito vermelho que te adorna, cheia de cadeados e promessas de amor.

 

A Pedra do Amor de Heidelberg (Heidelberger Liebesstein)

 

E quando o coração pede por algo mais que a Hauptstrasse ou o castelo, é só fazer um passeio de barco, se deixar levar pela beleza das margens do rio Neckar, ou se aventurar pela subida do Caminho dos Filósofos (Philosophenweg), porque afinal não só de sentimento e coração você vive, querida Heidelberg. É também de conhecimento e sabedoria,  onde tradicionalmente os filósofos (é claro) e professores de uma das universidades mais renomadas da Alemanha trocavam idéias. E com uma vista de tirar o fôlego ao ver a cidade de uma perspectiva diferente não tem como se apaixonar novamente!

 

A vista, ó que vista!, pela perspectiva do Caminho dos Filósofos (Philosophenweg)

 

E assim, Heidelberg, eu me aproprio um pouco de sua longa história, do seu clima romântico, da generosidade do seu povo, e de tudo que é bom, e renovo o amor. Ah, Heidelberg, o amor que sinto por ti é tão verdadeiro como na velha canção Ich hab mein Herz in Heidelberg verloren (Eu perdi meu coração em Heidelberg)...

 

De uma admiradora não tão secreta assim,

 

Manuela Marques Tchoe

(ou Baiana da Baviera, para os ¨íntimos¨)

 

PS – não conte para Munique ou nenhuma outra cidade da Baviera que você é uma das minhas cidades preferidas, tá bom?


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