Símbolo e orgulho da Baviera: o leão

Outro dia estava caminhando pela vizinhança quando notei a quantidade de estátuas leoninas que adornam a casa dos vizinhos. Já sabia que o leão faz parte do brasão bávaro, assim como também é símbolo de outras casas nobres da Europa. Que a escolha do leão faz sentido, isso faz, pois esse é o animal que mais chega perto dos ideais de elegância, força, bravura, nobreza e valor; o leão é, afinal, o rei dos bichos.

O leão está presente nos brasões de muitas casas do velho continente, como Dinamarca, Holanda, Finlândia e Bulgária, assim como de outras localidades da Alemanha, como Düsseldorf. Na Baviera o leão vai além dos brasões: por toda Munique podemos encontrar leões magníficos na Odeonsplatz assim como na entrada da Residência dos Reis Bávaros (diz a lenda que passar a mão nas patas ou no focinho traz boa sorte). Mesmo com os rastros de leões por Munique, a única explicação encontrada para a presença deles é a ¨tradição que vem desde o século 12¨.

 

A majestade dos leões no centro de Munique. Os bávaros não pouparam o leão de vestir Lederhosen, nem de ser sinônimo de sorte.

 

Não é só na Idade Média que os leões aparecem como símbolos da aristocracia na Europa. Na Grécia os leões eram personagens constantes na mitologia como o mito do leão de Neméia. Nessa lenda, acreditava-se ser este um leão sobrenatural que ocupava a cidade sagrada de Neméia no Peloponeso. Podemos ver estátuas de leões nos monumentos gregos e romanos que sobreviveram às intempéries do tempo, como no coliseu de Pula, na Croácia.

Aparentemente essa era uma tendência comum da antiguidade até a era medieval. Até aí tudo bem, mas como o leão acabou se tornando o símbolo supremo da nobreza européia, se o leão não existe na Europa? Não estariam os leões passeando na savana, sob o sol inclemente da África? Como o leão tornou-se símbolo da aristocracia antes mesmo das grandes navegações, da renascença, ainda no âmago da Idade Média? O único leão que vi na Alemanha é um animal magricela e nada majestoso no zoológico de Hellabrunn, em Munique.

 

De onde vêm então os misteriosos leões bávaros - e europeus?

 

Antes do ápice da idade aristocrática, o habitat dos leões era muito maior que dos dias atuais e formaram uma subespécie chamada Panthera leo europaea, que chegou a viver na antiga Roma e Grécia, sul da Rússia, Turquia e Armênia. Também é sugerido por evidências históricas e fósseis que os leões europeus viveram em Portugal, Espanha, partes do sul da França, Itália e os Balcãs.

 

Rastros da existência de leões na antiguidade: esculturas na Grécia e Croácia.

 

Em alguns casos, nem sempre está claro qual gato grande está sendo usado como símbolo aristocrático. Na linguagem de antigamente, o ¨leão¨ é muitas vezes referido como leopardo que, apesar de estar praticamente extinto na Europa, ainda existe. Mesmo assim, livros históricos mencionam o leão como um dos animais aristocráticos juntamente com o urso, a águia e o cisne.

 

O mais impressionante de tudo isso é ver que o leão continua como símbolo forte da Baviera, e como tal é ícone do orgulho que os bávaros dedicam à sua terra. Ainda hoje vê-se leões usados como ornamentos em casas - como no caso da Lochhammerstrasse em Munique (veja abaixo). A rua de trezentos metros acumula exemplos de como os bávaros revelam o gosto pela pátria - isso mesmo, pátria! - através dos leões de todos os tipos na entrada de suas casas.

 

Exemplos de uma obsessão bávara: leões adornando casas na Lochhammerstrasse em Munique.

 

A história da Baviera - documentada desde o século 6 - pode ser vista nos vilarejos medievais, nos ricos castelos, nas tradições que muitas vezes são confundidas com alemãs; mas que não são. Os bávaros mais tradicionais são aqueles que não se consideram alemães e fazem questão de comunicar-se no dialeto bávaro que, para deleite de muitos, não é compreendido além das fronteiras do Freistaat Bayern (Estado Livre da Baviera). Além dos símbolos mais conhecidos do estado bávaro - como a Oktoberfest, o Dirndl e Lederhosen (as vestimentas tradicionais) - o leão permanece como uma das marcas da Baviera e do orgulho que os filhos da terra sentem em fazer parte do maior e mais rico estado da Alemanha.


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