Dez coisas inusitadas da infância na Alemanha

Às vezes estamos tão acostumados com a nossa forma de viver à brasileira que muitos dos costumes da Alemanha nos fazem ficar de boca aberta. Se pequenas diferenças forem relacionadas aos nossos filhos então... respiramos fundo, às vezes resistimos um pouco, nos divertimos com certas esquisitices, até conseguirmos nos adaptar.

Conheça algumas coisas que as crianças experimentam em terras germânicas que são inimagináveis no Brasil.

 

 

Brincar com fogo e facas? Pode.

Os alemães ensinam seus filhos o valor da independência desde cedo, e lidar com o fogo e objetos cortantes na tenra idade é uma forma não só de desmistificar o uso de tais coisas, mas principalmente para que as crianças aprendam a lidar com coisas perigosas. Tais experimentos são feitos com a presença de um adulto, em casa, no kindergarten ou na escola. Portanto, não tem nada a ver com deixar coisas perigosas ao Deus dará; é realmente uma questão de ensinar as crianças como lidar com fogo, facas, e afins.

 


Brincar ao ar livre, independentemente do tempo

Já havia abordado o tema da falta de tempo ruim na Alemanha – o que importa mesmo são as roupas apropriadas. Como brasileira, ainda fico pasma ao ver crianças pequenas por horas na neve, enquanto meus pés congelam com apenas alguns minutos. De acordo com a filosofia germânica, entretanto, faz bem desbravar os climas mais inóspitos. Só assim para as crianças crescerem saudáveis e, principalmente, sem muita frescura.

 

Transporte de crianças é praticamente uma ciência

Quando a primavera chega vemos uma infinidade de opções para transportar crianças com as poderosas bicicletas, além de outros meios de transporte inusitados. O importante é tomar o tal do ar fresco, pedalar, aproveitar a natureza enquanto o tempo deixa. Para isso, nada melhor que colocar a criança em diferentes formas de transporte. Tenha certeza que tantos mini-veículos ocuparão uma boa parte do seu porão ou garagem.

 


Tomar uma cervejinha?

Não que crianças tomem cerveja em si, mas a cultura da cerva é tão forte que existem alternativas sem álcool que podem ser oferecidas a crianças, como Malzbier e Vitamalz. Vale ressaltar que a idade mínima para o consumo de vinho e cerveja é de dezesseis anos, para o consumo de outras bebidas álcoolicas é de dezoito. A partir de treze anos a criança pode experientar cerveja e vinho, desde que acompanhado por um adulto responsável.

Almoço é ao meio-dia em ponto

O almoço – ou Mittagsessen, traduzido literalmente para refeição do meio-dia – é de fato realizado às 12:00.

 

A função é dar às crianças uma rotina que estrutura o dia, algo muito valorizado por aqui.

 


Histórias infantis de dar pesadelos em adultos

Não é novidade que as histórias clássicas infantis dos Irmãos Grimm contém passagens de nos deixar com o cabelo em pé. Desde a amputação do dedão de uma das irmãs de Cinderela até o banquete que o lobo mau faz da Chapeuzinho e de sua vovó, esses contos de fadas mais parecem histórias de terror. Livros infantis bastante populares também contam a história de Max und Moritz, dois meninos levadíssimos que aprontam tanto que são esmiuçados e viram comida de pato. Histórias cheias de moral e horror é que não faltam; recebemos dois livros desse nível no ano passado, e discretamente os escondi para meu filho não os achasse.

Bilinguismo, sempre uma história para contar

Crianças bilíngues são o máximo. Elas praticamente criam novas palavras, nos dão exemplos todos os dias que o mistureba de idiomas é uma coisa fantástica. É claro que demora um pouco para que eles possam separar o português e o alemão, mas só o fato delas fazerem certas associações linguísticas é algo excepcional.

 

Eis algumas pérolas identificadas nos últimos dias:

 

  • Tampa em alemão é Decke, portanto as duas palavras podem ser unificadas como Tampe
  • O verbo secar no alemão é trocknen, então por que não dizer que as roupas estão ¨trocando¨ no varal?
  • Pão no alemão é Brot, e portanto pãozinho é ¨brotinho¨
  • Copinho no diminutivo alemão transforma-se em ¨cöpchen¨

Dentre tantos outros exemplos que fazem nossos corações se encherem de alegria e orgulho dos pimpolhos (afinal, gerenciar dois idiomas não é fácil mesmo!).

 

Parquinhos mortais

Quem já foi em parquinhos de deixar o seu estômago embrulhado? Eu já!

 

Fico arrepiada só de ver as estruturas altíssimas, escadas sem muita segurança... as crianças ficam loucas para subir as escadas enquanto você se apavora com a possibilidade da criança tropeçar, cair e ter traumatismo craniano. E as mães alemãs? Estão completamente relaxadas, aproveitando o sol, tomando café e batendo papo, enquanto nós mães brasileiras nos descabelamos no Spielplatz.

 

Que Deus nos proteja!

 

Segurança para quê?

Os alemães não têm aquela paranóia com segurança como os brasileiros. Afinal, violência aqui ainda é raro a tal ponto que qualquer crime é primeira página de jornal. Essa mentalidade é refletida – para melhor e para pior – na falta de segurança em quaisquer estabelecimentos educacionais. No kindergarten que meu filho frequenta não existe segurança nenhuma; simplesmente qualquer doido pode entrar (e olha que aqui não falta gente louca, como qualquer lugar do mundo!).


Quando vamos falar com os responsáveis, eles não entendem a nossa preocupação. E como poderiam? O jeito é se acostumar, pois a chance de que escolas, creches e kindergartens invistam em segurança é mínima, assim como a chance de alguma coisa ruim de acontecer também é muito pequena.

 

O primeiro dia de aula a gente nunca esquece

No primeiro dia de aula as crianças ganham o que se chama de Schultüte – uma espécie de cone com um bocado de presentes e chocolates. A escola é um grande momento para os alemães, algo a ser celebrado como uma grande conquista. Por isso talvez eles sejam tão bons no aspecto acadêmico? Com certeza os alemães começam a vida escolar com o pé direito!

 


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Comments: 7
  • #1

    Iris Carla Karst (Friday, 24 March 2017 19:59)

    Entre os livros esqueceste das histórias de dua "pragas" iguais ao Max und Morizt.Eu guardo um livro de infância sobre a Henzel und Gretel que também tem um fim trágico.Quanto ao ao horário de almoço,para mim é sagrado com pequena tolerância de 15 minutos para mais ou para menos.Todos meus quatro filhos receberam a Shuhtüte,mas meus netos não.As tadições vão ficando esquecidas pelos descendentes alemães.Lamentável.

  • #2

    Jair Cordeiro Lopes (Friday, 24 March 2017 23:43)

    Manuela,
    Gostei imensamente dessa postagem. Você mostra acuidade de observação e consegue traduzi-la em uma crônica bem estruturada. Sinceramente, acho que essa amálgama cultural só tende a fazer bem aos pimpolhos submetidos a ela. Meus netos na Austrália e nos USA estão passando por algo parecido e já apresentam alguns sintomas que o caldo cultural os fará seres mais desenvoltos. Abraços, JAIR.

  • #3

    Wania Liddel (Saturday, 25 March 2017 00:25)

    Parabens por mais um artigo elucidativo e interessante!

  • #4

    Lidi (Saturday, 25 March 2017 07:13)

    Parabéns, é assim mesmo!!!!

    Vc poderia dizer onde é este parquinho? Eu adorei :)

    Obrigada!

  • #5

    Leticia (Saturday, 25 March 2017 11:03)

    Excelente! Os parques,, os muros baixos e portões abertos nas escolas, mesmo depois de 7 anos, também me apavoram!

  • #6

    Claudia (Saturday, 25 March 2017 17:29)

    Gostei! Faltou na sua lista as redes de proteção inexistentes em janelas e varandas. A demanda por conta dos brasileiros tem aumentado e já existem algumas disponíveis no mercado. Até pouco tempo as pessoas improvisavam com redes para gatos.

  • #7

    Keli Santos (Thursday, 15 June 2017 21:56)

    Tudo verdade rsrs
    Outra coisa que me causa estranhamento, é o fato de no verão as crianças brincarem na água completamente peladas, sempre coloco pelo menos a calcinha do biquíni na minha filha, mas uma hora ela percebe que só ela usa e quer tirar também, sei que são só crianças, mas me incomoda um pouco, depois fica de bumbum cheio de areia rsrsr

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