Uma desconhecida marca chamada Brasil

Num dia desses estava conversando com meu marido sobre o Brasil, e pela primeira vez perguntei:  

 

Se você não tivesse me conhecido, você teria tido vontade de viajar para o Brasil? Não, ele respondeu categórico, me olhando daquele jeito sem-graça. Perguntei o motivo, um tanto surpresa com a negativa, pois ele gostou de todas as viagens que fizemos para a Bahia e além. Ele explicou que sem um incentivo (a esposa), o Brasil nunca esteve em seus planos de viagem. O motivo?

Não tem nada a ver com a distância ou o preço da passagem, ele disse, nem com os problemas de corrupção ou violência. A razão pela qual ele não consideraria o Brasil é simples: ele não sabia o que o Brasil tem de diferente, de especial. Ele conhecia os estereótipos – Carnaval, futebol – e só. O reconhecimento do que o Brasil tem para oferecer veio só depois de já ter conhecido o país.

 

Daí me peguei pensando... será que talvez um dos maiores problemas para o Brasil se tornar uma potência turística é a falta de uma marca forte que desperte fascinação entre turistas internacionais?

 

Só no Brasil que o turismo estagna

 

Essa semana li uma reportagem da Super Interessante sobre os motivos pelos quais o turismo no Brasil não decola. Apesar do potencial, ainda mais visível depois da Copa e das Olimpíadas, não recebemos turistas internacionais mais que Miami ano após ano. Estranho, não?

 

Nem tanto. Como descrito no artigo, o Brasil peca pela falta de infraestrutura adequada, despreparo da indústria (muitos não falam uma segunda língua), burocracia intensa, preços caros (uma passagem para o Brasil na época de Natal não sai por menos de EUR 1,000 por cabeça) e, obviamente, pela falta de imagem e propaganda que despertem o desejo dos estrangeiros de explorar o nosso país.

 

Afinal, por que um país como a Índia, com problemas sociais e de infraestrutura tão profundos tanto quanto os nossos (ou até mais que o Brasil, em certos aspectos), conseguem despertar fascinação e curiosidade a ponto de conquistar mais de oito milhões de turistas em 2015, e com a previsão de 10% de crescimento para 2016? Tudo bem que a Índia é um dos destinos mais econômicos que se pode sonhar e que se comunicar em inglês não é problema (afinal, o inglês é também língua oficial do país), além da cultura exótica que seduzem os viajantes.

 

Entretanto, a Índia sofre com pobreza e sujeira extremas, horríveis estradas, aeroportos, trens, e infraestrutura em geral, além dos escândalos de abuso contra a mulher (lembra dos estupros coletivos?). Mesmo assim, o governo indiano não hesita em promover a Incredible India, com imagens maravilhosas dos aspectos culturais óbvios e obscuros com música exótica tocando ao fundo; grandes campanhas que despertam aquela fascinação que te faz gastar mundos e fundos com passagem, hospedagem, e tal.

 

Outros países resolveram tomar o mesmo bonde que a Índia, como Wonderful Indonesia e Beautiful Azerbaijan. Todos esses países reconhecem a importância do turismo para economias de países em desenvolvimento e, como consequência, investem em criar uma marca forte para o turismo de seus países. Já o Brasil criou a campanha Brazil is Calling You em 2010 (!) para impulsionar as visitas durante a Copa e depois disso... nadica de nada.

 

Quem vem, gosta... e quer voltar

 

A marca Brasil é constituída por estereótipos que não necessariamente atraem turistas em massa, como Carnaval, praias ou futebol. A percepção de que a violência no Brasil está fora de controle não ajuda nem um pouco, mas se você pensar em outros destinos com toques violentos como a África do Sul, que atingiu a marca de 10 milhões de turistas, isso não é um argumento que vale.

 

O que está faltando é criar a marca Brasil, investir em campanhas contínuas (não só associadas a grandes eventos esportivos), informação disponível dos pontos turísticos que vão além de Rio e Sampa, prestar serviço de qualidade em inglês e outros idiomas (raridade...), criar aquela fascinação com a nossa cultura, monumentos, cidades e natureza.

 

Marketing sozinho, entretanto, não resolve a situação. É preciso botar dinheiro na infraestrutura e qualificação de pessoas, of course. No fim das contas, só criar fascinação e desejo não adianta se um profissional de turismo apenas arranha no inglês, se sinalização básica é inexistente ou se os preços são inacessíveis para a maioria dos viajantes. Só assim para o Brasil se tornar mais que o destino de aficionados e alternativos, e se tornar mainstream (e com isso gerar empregos tão necessários!).

 

A reportagem da Super Interessante atesta que 95% dos turistas que se aventuram em terras brasileiras desejam voltar. Isso mesmo, 95%! A grande maioria dos turistas que experimentam a marca Brasil se encantam, se fascinam com as belezas naturais, a vibração de nossas grandes cidades, com a culinária diversificada e maravilhosa, a atmosfera de alegria, a paisagem cheia de cor. Os estrangeiros que já foram ao Brasil com quem converso, concordam: apesar dos pequenos perrengues, o Brasil é único. Encantador. Maravilhoso. Especial.

 

O brasileiro já tem know-how de como encantar o turista que já aterrissou; a questão toda é como conquistar aqueles que ainda não sabem o que o Brasil tem para oferecer. Aqueles mesmos que ainda acreditam que Buenos Aires é a nossa capital ou que falamos espanhol, aqueles que associam nosso país ao Carnaval ou futebol. Para fazer o turismo no Brasil decolar é, antes de tudo, investir na marca Brasil. O que não falta é potencial, mas isso todo mundo está careca de saber.


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Meu lema:

¨Somos o resultado dos livros que lemos, das viagens que fazemos, e das pessoas que amamos.¨

Airton Ortiz