Americanah – choques culturais e racismo em uma estória de amor

Escrito pela nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, Americanah conta a história de Ifemelu e Obinze que, ainda adolescentes na Nigéria sob ditadura militar, se apaixonam, revelam seus sonhos e desejos, principalmente de seguir muitos de seus amigos para a América. Eventualmente, Ifemelu consegue realizar esse desejo, deixando Obinze para trás.Sem conseguir seguir sua amada até os Estados Unidos devido aos ataques de 11 de setembro, Obinze cai nas armadilhas da vida de imigrante ilegal na Inglaterra, até ser deportado para seu país de origem. Anos depois, Obinze se vê conivente com o poder e dinheiro fácil da nova e defeituosa democracia nigeriana, casa-se, tem uma filha. Quando Ifemelu decide retornar a Lagos, eles são confrontados com a mesma paixão que procuraram esquecer por anos, até precisarem decidir como seguirão adiante.

 A obra é extremamente interessante nos pensamentos e pequenas análises das diferenças culturais que ambos Ifemelu e Obinze enfrentam. Nos Estados Unidos, Ifemelu analisa os pormenores do comportamento superficial dos americanos, da necessidade de passar sempre a impressão de felicidade e satisfação e, principalmente, do racismo velado nas interações humanas. No blog que Ifemelu escreve, diversas situações são contadas de como a população negra nos Estados Unidos é o alvo mais constante do preconceito, inclusive de como muitas características culturais e físicas devem ser disfarçadas. Um exemplo é a pressão para alisar os cabelos, porque usá-los da forma natural não é considerado profissional no mundo corporativo.

 

Ao mesmo tempo, Obinze se vê no mundo britânico através de um amigo de longa-data que conseguiu emigrar com sucesso para a Inglaterra. Ele nota o excesso de expressões tipicamente inglesas como Oh, dear, critica a abundância de fotos estereotipadas de lugares viajados pelo amigo (por exemplo, em frente ao Coliseu em Roma), e nota que ele é casado com uma mulher mais velha.

 

Por mais que as observações culturais sejam extremamente interessantes, não pude deixar de notar o tom de crítica velada. Em algumas situações, qualquer detalhe é digno de uma análise e em certas partes achei um tanto too much. Afinal, qual é o problema do amigo de Obinze se casar com uma mulher mais velha?

 

Apesar de ter achado o livro bastante interessante, com todas as referências raciais que por vezes nem percebemos e as diferenças culturais gritantes, achei o livro por vezes moroso, entupido de personagens que não fazem qualquer diferença para a estória e críticas veladas que beiram à paranóia. Talvez por não ser negra nem morar nos Estados Unidos eu não tenha verdadeira noção dessas pequenas coisas que de fato possam ser consideradas preconceito. A verdade é que por vezes eu não aguentava a torrente de pequenas análises, e demorei mais de um mês para terminar de ler o livro.

 

De qualquer forma, recomendo Americanah para quem o tema de choque cultural é interessante e, especialmente, se a realidade da Nigéria atrai o leitor. Se sim, essa obra com certeza agradará.

 

CONCLUSÃO: BOM


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Comments: 3
  • #1

    Jair Cordeiro Lopes (Thursday, 24 November 2016 00:03)

    Manuela,
    Comentar um comentário teu é uma dureza. Você analisa como que fala, é de uma clareza e síntese profissionais. Convence, parabéns.

  • #2

    DINIS METELO (Tuesday, 29 November 2016 01:29)

    Com relacao ao racismo , na minha opiniao , a melhor definicao e do Nelson Rodrigues ; " quem tem raca e cachorro" .

  • #3

    Renita Zenz (Thursday, 02 February 2017 23:07)


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